3 e 4 de Maio de 2005

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Entrevista - Revista Qualidade

- O QUE MUDOU NOS ÚLTIMOS MESES PARA QUE O INVESTIMENTO EM CAPITAL DE RISCO TIVESSE SIDO CATAPULTADO EM PORTUGAL NOS ÚLTIMOS MESES? QUE OBSTÁCULOS AINDA FALTA ELIMINAR PARA QUE A INDÚSTRIA GANHE MAIOR DINAMISMO E EXPRESSÃO?

Apesar das medidas favoráveis que ao longo dos últimos dois anos têm vindo a ser adoptadas em prol do sector de capital de risco em Portugal, maxime um enquadramento jurídico e fiscal favorável à dinamização da actividade e a constituição de um Fundo de Sindicação de Capital de Risco que veio permitir alavancar a actividade dos operadores de capital de risco, o estado de maturidade deste sector em Portugal - e em geral na Península Ibérica – continua a registar índices de significativo atraso quando confrontado com outros países que integram o Mercado Europeu, ao nível do cumprimento de critérios determinantes para a ocorrência de investimento, tal como se poderá constatar através da análise do quadro a seguir apresentado.


Face ao exposto considero essencial que a alteração dos factores inibidores do desenvolvimento da actividade de Capital de Risco em Portugal, sobretudo nas fases seed e startup, passe pela verificação das seguintes condições:

- Os operadores de capital de risco assumam uma cada vez maior transparência e regras de “Corporate Governance” de forma a que a citada informação não seja circunscrita aos próprios gestores das Sociedades de Capital de Risco e seus accionistas e passe a ser acessível ao nível dos Empreendedores, business angels, imprensa especializada, Universitários e Organismos Públicos. Aliás, a profunda evolução ocorrida nos mercados financeiros e tecnológicos e a consequente diminuição da rentabilidade do sector após a loucura dos finais da década de noventa, acrescido do interesse global em aumentar a transparência empresarial, assim o impõem;

- As Sociedade Gestoras de Fundos de Pensões e entidades Seguradoras passem a considerar, a exemplo do que ocorre nas economias anglo-saxonicas, que os investimentos no Capital de Risco nacional podem contribuir para o aumento da rentabilidade das suas carteiras, e deste modo sejam incitadas a afectar a estes investimentos montantes que contribuam para o aumento de liquidez e diversidade dos operadores de Capital de Risco;

- Seja criado um adequado enquadramento jurídico-fiscal - a exemplo do que está a ocorrer na generalidade dos países europeus – favorável à dinamização das redes de Business Angels, em função da importância que estes investidores informais assumem na transformação de empreendimentos inovadores em negócios bem sucedidos;

- Os grandes Grupos Económicos nacionais constituam um efeito demonstração na criação de entidades de Corporate Venture capazes de aumentar o nível de investimentos em projectos, assentes na Inovação e Criatividade, sendo estes comummente apresentados por jovens com elevada formação cientifica e tecnológica.

- Uma adequada divulgação, junto de empresários e Empreendedores, não só das vantagens e possibilidades que esta alternativa de financiamento permite, mas também pela sensibilização para os aspectos intangíveis - como a experiência, o acesso a uma rede de contactos nacionais e internacionais, e, principalmente, a credibilidade conferida às “Ideias” – os quais na minha opinião assumem tanto ou mais valor do que todas as vantagens que os recursos financeiros podem proporcionar;

- Uma maior consciencialização por parte dos Empreendedores para a necessidade de profissionalizarem os seus processos de angariação de Capital de Risco. Para conseguir financiamento, o empreendedor necessita, em primeiro lugar, de saber o que efectivamente os investidores pretendem, pelo que será totalmente imprudente e desprovido de razoabilidade aproximar-se destes sem que tenha tentado obter primeiro informações sobre a forma como actuam no mercado, e, para isso, nada melhor que entrar em contacto com entidades especializadas nessa actividade, a exemplo do que os Empreendedores fazem quando têm um problema e consultam o Advogado, com vista à obtenção dos esclarecimentos adequados para esse efeito.

- Criação de fundos de Capital de Risco Universitários, potenciando o acesso directo das Universidades a fundos de capital semente que lhes permita aplicar os resultados da pesquisa científica em novos negócios e/ou produtos. Veja-se, a exemplo, o Fundo de Capital de Risco Universitário constituído em Espanha, em Agosto do ano passado, com a participação de 16 Universidades, tendo sido dotado com doze milhões de euros, com o objectivo de participar como capital semente em áreas de alto crescimento e iniciativas empresariais de base tecnológica no âmbito universitário;

- Aproveitar os investimentos (mais de 544 milhões de Euros) que o nosso país precisa de realizar na área da Sociedade da Informação, como alavanca para a dinamização das start-ups que apresentem produtos ou serviços que possam vir a satisfazer parte das necessidades relacionadas com o E-Government, a exemplo do que ocorre nos EUA onde a NASA é a alavanca para as start-ups americanas, ao afectar às mesmas cerca de 20% do seu orçamento anual;

- Realização de um Concurso Nacional de Planos de Negócios -devidamente orçamentado que possa dar sequência aos inúmeros concursos de ideias já lançados em Portugal, mas insuficientemente capitalizados- destinado a incentivar a criação de empresas inovadoras no âmbito das tecnologias de inovação. Denote-se que, em França, este Concurso, que possui um orçamento anual de 30 milhões de Euros, já vai na sua quinta edição e permitiu, em quatro anos, constituir 466 empresas e criar mais de 2300 postos de trabalho.


- QUAL TEM SIDO O PAPEL DAS SCR ESTATAIS NA DINAMIZAÇÃO DA ACTIVIDADE DE CAPITAL DE RISCO? ESPERA-SE QUE A ATENÇÃO QUE ESTE GOVERNO PRETENDE DAR À ÁREA TECNOLÓGICA (NOMEADAMENTE O CHAMADO CHOQUE TECNOLÓGICO) FAÇA SURGIR OPORTUNIDADES PARA AS SCR E PARA O EMPREENDEDORISMO?

Este sector já há muito ansiava por medidas concretas e edificantes em detrimento de pseudo reformas legislativas mais ou menos mistificadoras da realidade, e favoráveis meramente no plano formal.
A PME INVESTIMENTOS , Sociedade de Capital de Risco com capitais maioritariamente públicos, ao adoptar nos últimos seis meses uma estratégia de actuação baseada em critérios de full risk , i.e., na aposta em jovens empreendedores com projectos com potencial de crescimento e valorização, em detrimento de critérios próprios da banca tradicional, permitiu a um significativo número de empresas de base tecnológica- biotecnologia, telecomunicações, software, aquacultura, medicamentos – possuírem uma adequada estrutura de capitais próprios para fazerem face aos seus planos de investimentos.

Os mais de sete milhões de euros investidos por esta SCR pública, em áreas onde a falha de mercado é mais do que evidente e reconhecida por todos, em oito empresas em fase seed e start-up, bem como em acções e iniciativas com o principal intuito de contribuir para a criação de um ambiente favorável ao crescimento e à transmissão de empresas, tem contribuído para o estado actual do capital de risco nacional permitindo antever que o acesso a esta poderosa ferramenta de desenvolvimento empresarial deixe de ser sinónimo de burocracia, conservadorismo e de difícil acesso aos jovens empreendedores.
No que diz respeito à segunda parte da questão gostaria de acreditar que as boas ideias que se encontram subjacentes ao programa do Governo e nomeadamente à aposta do Senhor Primeiro Ministro, no desenvolvimento do capital de risco e do empreendedorismo em Portugal, sejam implementadas com prontidão e eficácia por parte dos Organismos Públicos, actualizados nos seus valores, de forma actuante e interventiva , na linha aliás do que a actual Administração da PME INVESTIMENTOS tem vindo a realizar, de forma a que possamos assistir ao aparecimento de novas empresas e de novos empreendedores, apoiados por uma indústria de capital de risco mais pró-activa e dinâmica, que criem a riqueza necessária ao aumento do bem estar da população portuguesa.


- ESPERA-SE A ENTRADA, EM BREVE, DE NOVAS SCR NO MERCADO NACIONAL?

O Capital de Risco em Portugal ainda é uma Indústria Jovem, com alguns problemas estruturais e culturais , que se debate com a existência de uma oferta pequena em termos de bons gestores e de bons empreendedores condicionando assim, apesar das melhorias ocorridas no enquadramento jurídico e fiscal, a entrada de novas SCR, quer nacionais quer internacionais, no mercado nacional.
Acredito no entanto que esta situação se possa alterar a curto prazo, caso os empreendedores de sucesso, que já vamos tendo em Portugal, tenham mais visibilidade como modelos a seguir, funcionando como efeito demonstração para que muitos jovens que hoje preferem trabalhar para as filiais das multinacionais instaladas no nosso País - com benefícios evidentes para estas, conforme o demonstra o facto de, em 2003, só uma dessas multinacionais ter exportado para todo o mundo mais de um milhão de horas de massa cinzenta de engenheiros portugueses, porventura promitentes empreendedores …- sejam encorajados a criar as suas próprias empresas e desenvolver novas tecnologias excitantes, captando dessa forma o interesse dos investidores de capital de risco , quer estes sejam nacionais ou internacionais.


- AS CAPITAIS DE RISCO JÁ ESTÃO MAIS SENSIBILIZADAS PARA INVESTIR, MENOS RESISTENTES AO RISCO DO QUE QUANDO, HÁ CERCA DE UM ANO, FIZEMOS O PRIMEIRO BALANÇO?

Infelizmente continuo a constatar uma apetência pouco significativa por parte das SCR instaladas em Portugal para o investimento em projectos em fase de desenvolvimento inicial independentemente dos mesmos revelarem grandes perspectivas de crescimento e valorização e satisfazerem reais necessidades dos clientes.

Com excepção da PME INVESTIMENTOS – um bom jogador não faz uma equipe de futebol…- e de mais um ou outro investidor de capitais maioritariamente Públicos é com bastante preocupação que encaro a atitude passiva e conservadora dos principais Operadores privados, nomeadamente os de estrutura accionista ligada aos Grupos Financeiros, que infelizmente não se encontram a aproveitar as oportunidades que as pequenas start ups portuguesas podem gerar com a criação de inovações técnicas e no desenvolvimento e upgrading dos seus produtos e serviços tão decisivos para a geração de lucros e conquista de um mercado cada vez mais competitivo e exigente.
Facto este tanto mais difícil de perceber quanto sabemos que hoje as descontinuidades - em tecnologia, demografia, estilos de vida, regulação geopolítica - que se estão a verificar no Mundo em que vivemos continuam a proporcionar uma excelente plataforma de lançamento para ideias novas e radicais, com particular destaque para soluções inovadoras que resolvam as reais necessidades dos clientes, identificando novos mercados com elevado potencial de crescimento.

Apesar de compreender que este comportamento não pode ser dissociado do facto de a banca comercial portuguesa ter detectado sempre mais oportunidades em financiamentos ao crédito ao consumo e à aquisição de habitação do que ao nível da banca de empresas e consequentemente no financiamento a longo prazo, estou convicto que a aposta, por parte das SCR detidas pelo sistema bancário, no financiamento de empresas que assentam a sua estratégia de desenvolvimento com base na criatividade e na inovação, para além de contribuírem para o aumento da produtividade, criação de emprego e desenvolvimento de uma cultura vibrante e empreendedora na economia nacional, poderão vir a gerar recompensas interessantes que acabarão por vir a ser aproveitadas - caso não se verifique a curto prazo uma inflexão de comportamento - por entidades estrangeiras que possuam nas suas estruturas executivos com um perfil e espírito empresarial mais desenvolvido e adaptado a apoiar as empresas suas participadas a atingir o sucesso comercial com as suas novas tecnologias.


- O QUE ESPERA DESTE 5.º VENTURE CAPITAL IT?

Considerando a forte aposta da Gesventure em conseguir este ano mobilizar até Portugal figuras de grande vulto mundial, como sejam a Professora Mannie Manhong Liu, (Vice-Presidente do Instituto de Venture Capital da China), João Paulo Poiares Baptista (Presidente da Associação Brasileira de Capital de Risco), François Bernardeau (Presidente da Natexis, actualmente a maior Sociedade de Capital de Risco francesa), Chris Curtis (o Guru canadiano do Empreendedorismo, presente pela terceira vez em Portugal) Gerry Cater ( Wilmer Cutler Pickering Hale and Dorr) e Julie Logan (Simfonec), para além de especialistas portugueses de reconhecido mérito, designadamente o Engº Mira Amaral, perspectivamos que a abrangência deste Congresso venha a descompartimentar-se, extravasando o perímetro de abordagem e discussão circunscrito aos quatro cantos da sala do Congresso, por forma a repercutir importantes reflexos na Economia nacional, numa altura em que as empresas portuguesas precisam de estimular agressivamente a sua criatividade interna para melhorar os seus níveis de desempenho nos mercados nacionais.

Além disso, esperamos que um número maior de Empreendedores, previamente seleccionados pela Gesventure para participação no “Elevator Pitch”, venham a alcançar financiamento que permita o crescimento das suas empresas, através das reuniões privadas com Sociedades de Capital de Risco, Business Angels e Grupos Económicos que irão estar presentes ao longo dos dias de Congresso, contribuindo assim com o seu exemplo para que em novas edições o número de potenciais candidatos venha a reproduzir-se significativamente.

Espero assim, que os resultados alcançados na Edição deste ano continuem a ser manifestamente reconhecidos, quer por parte de entidades públicas quer privadas, para que as mesmas continuem a introduzir nas iniciativas por si desencadeadas a metodologia aplicada nos nossos Eventos, com todos os efeitos positivos daí decorrentes para os jovens Empreendedores portugueses.


Respostas efectuadas por

Francisco Banha
CEO
Gesventure – Desenvolvimento de Novas Tecnologias, Lda

Em 24.04.05


Fonte: Revista Prémio
 

 

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