3 e 4 de Maio de 2005

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Entrevista - Jornal de Notícias

1 - O que falta fazer para que esta ferramenta financeira (Capital de Risco) se consolide no nosso país?

Considero, desde logo, que o que deverá ser feito para que esta importante ferramenta financeira se venha a consolidar no nosso país, à semelhança do que ocorre nas economias mais evoluídas, consiste em continuar a fomentar a criação de um ambiente saudável se quisermos que o crescimento aconteça!

É isto, de resto, o que a própria natureza nitidamente nos mostra. É certo que nós não podemos fazer as coisas crescerem na natureza, no entanto, podemos criar as condições adequadas para que o crescimento se dê.

Aliás, todo o percurso que a GESVENTURE tem vindo a desenvolver ao longo de 6 anos consecutivos de actividade, traduz-se num conjunto de acções e iniciativas concertadas (sendo o 5º Congresso Internacional de Capital de Risco um exemplo clarificador) com o principal intuito de contribuir para a criação de um ambiente favorável ao crescimento e à transmissão dos pressupostos essenciais que permitam desenvolver junto dos Empreendedores uma verdadeira cultura empreendedora, assente em relações de confiança, transparência e compromisso.

Ora, uma vez interiorizada esta cultura empreendedora - verdadeira essência do funcionamento de uma Industria de Capital de Risco eficaz – tal irá permitir que os Empreendedores passem a preocupar-se mais com as suas reais necessidades do que com as vontades. E isto afigura-se fundamental, porque um projecto a apresentar a um investidor deve acima de tudo ser realista. Os investidores não fazem favores a ninguém! Por isso, por mais que uma ideia seja atractiva, o investidor apenas vai preocupar-se em dar ao Projecto aquilo que ele realmente precisa para crescer e não aquilo que o Promotor quer. A vontade do empreendedor apenas poderá ser encarada como um simples ensejo, enquanto que a necessidade já é vista como uma legítima exigência cuja ocorrência pode ser determinante para o êxito do Projecto. E, nessa medida, o empreendedor tem de possuir a flexibilidade suficiente que lhe permita distinguir estas duas premissas, valorizando sempre a segunda em detrimento da primeira.

Tudo isto que tenho vindo a descrever até ao momento, embora não se traduza propriamente em objectivos tangíveis ou metas quantificáveis, insurge-se, no entanto, como condições de sucesso, cuja verificação poderá contribuir para o aumento de projectos com boas equipas de gestão e, consequentemente, do número de operações a realizar pelas Sociedades de Capital de Risco.
Por outro lado, e entrando agora numa análise objectiva, considero essencial a verificação das seguintes condições:

  • Os operadores de capital de risco assumam uma cada vez maior transparência e regras de “Corporate Governance” de forma a que a citada informação não seja circunscrita aos próprios gestores das Sociedades de Capital de Risco e seus accionistas e passe a ser acessível ao nível dos Empreendedores, business angels, imprensa especializada, Universitários e Organismos Públicos. Aliás, a profunda evolução ocorrida nos mercados financeiros e tecnológicos e a consequente diminuição da rentabilidade do sector após a loucura dos finais da década de noventa, acrescido do interesse global em aumentar a transparência empresarial, assim o impõem;

  • As Sociedade Gestoras de Fundos de Pensões e entidades Seguradoras passem a considerar, a exemplo do que ocorre nas economias anglo-saxonicas, que os investimentos no Capital de Risco nacional podem contribuir para o aumento da rentabilidade das suas carteiras, e deste modo sejam incitadas a afectar a estes investimentos montantes que contribuam para o aumento de liquidez e diversidade dos operadores de Capital de Risco;

  • Seja criado um adequado enquadramento jurídico-fiscal - a exemplo do que está a ocorrer na generalidade dos países europeus – favorável à dinamização das redes de Business Angels, em função da importância que estes investidores informais assumem na transformação de empreendimentos inovadores em negócios bem sucedidos;

  • Os grandes Grupos Económicos nacionais constituam um efeito demonstração na criação de entidades de Corporate Venture capazes de aumentar o nível de investimentos em projectos, assentes na Inovação e Criatividade, sendo estes comummente apresentados por jovens com elevada formação cientifica e tecnológica

  • Seja realizado um Concurso Nacional de Planos de Negócios -devidamente orçamentado que possa dar sequência aos inúmeros concursos de ideias já lançados em Portugal, mas insuficientemente capitalizados- destinado a incentivar a criação de empresas inovadoras no âmbito das tecnologias de inovação. Denote-se que, em França, este Concurso, que possui um orçamento anual de 30 milhões de Euros, já vai na sua quinta edição e permitiu, em quatro anos, constituir 466 empresas e criar mais de 2300 postos de trabalho.


2 - Quais as expectativas para o 5º Congresso Internacional de Capital de Risco?

As grandes expectativas formuladas para o 5º Congresso Internacional de Capital de Risco, giram em torno da figuras de grande vulto mundial que a Gesventure vai conseguir mobilizar este ano até Portugal, como sejam a Professora Mannie Manhong Liu, (Vice-Presidente do Instituto de Venture Capital da China), João Paulo Poiares Baptista (Presidente da Associação Brasileira de Capital de Risco), François Bernardeau (Presidente da Natexis, actualmente a maior Sociedade de Capital de Risco francesa), Chris Curtis (o Guru canadiano do Empreendedorismo, presente pela terceira vez em Portugal) Gerry Cater ( Wilmer Cutler Pickering Hale and Dorr) e Julie Logan (Simfonec), para além de especialistas portugueses de reconhecido mérito, designadamente o Engº Mira Amaral.
Nesta medida, perspectivamos que a abrangência deste Congresso venha a descompartimentar-se, extravasando o perímetro de abordagem e discussão circunscrito aos quatro cantos da sala do Congresso, por forma a repercutir importantes reflexos na Economia nacional, numa altura em que as empresas portuguesas precisam de estimular agressivamente a sua criatividade interna para melhorar os seus níveis de desempenho nos mercados nacionais.

Além disso, esperamos que um número maior de Empreendedores, previamente seleccionados pela Gesventure para participação no “Elevator Pitch”, venha a alcançar financiamento que permita o crescimento das suas empresas, através das reuniões privadas com Sociedades de Capital de Risco, Business Angels e Grupos Económicos que irão estar presentes ao longo dos dias de Congresso, contribuindo assim com o seu exemplo para que em novas edições o número de potenciais candidatos venha a reproduzir-se significativamente.

Finalmente, esperamos que para os Investidores, nacionais e internacionais, esta iniciativa se converta numa boa oportunidade para os mesmos virem a identificar junto de mais de uma quinzena de empreendedores presentes, projectos empresariais com força suficiente para causarem a diferença no mercado.


3 - Que casos concretos de Capital de Risco podemos ver no nosso país?

Alguns dos mais recentes projectos que angariaram fundos via capital de risco contaram com a intervenção da Gesventure. Refiro-me em particular à Outsystems, AQUAL e Tic-Tac, três projectos que estiveram presentes no Elevator Pitch do 4º Venture Capital IT (2004).

O primeiro trata-se de uma empresa estabelecida e experiente em capital de risco, tendo anteriormente já angariado capital junto da NeSBIC, uma sociedade de capital de risco holandesa. Com o apoio da Gesventure, esta empresa especializada no desenvolvimento de software atraiu €2,2 milhões dos fundos da PME Investimentos. A Outsystems possui uma carteira de clientes de referência, tanto em Portugal como no estrangeiro, e pretende expandir as suas operações na Europa com a intenção clara de entrar no mercado americano. A sua equipa de gestão tem um conhecimento profundo da indústria de software, tendo desempenhado funções de administração em diversas start-ups e grandes companhias multinacionais (Oracle, Cisco, CA).

A AQUAL é uma sociedade que tem por objectivo conceptualizar, desenvolver e explorar projectos de produção aquícula e pesqueira, com especial destaque para a área de bivalves. O investimento angariado foi de € 500.000, obtidos igualmente junto da PME Investimentos .

A Tic-Tac, por outro lado, refere-se a um projecto que visa a criação de uma empresa que terá como actividade a fabricação de jogos, nomeadamente a concepção, produção e comercialização de puzzles tridimensionais em madeira, com recurso a tecnologia de produção recente (laser). A grande diferença reside no montante de capital angariado por este projecto que, necessitando de apenas € 50.000, se demarcou dos habituais valores de investimentos via capital de risco.

Como se pode constatar, existe uma grande disparidade de valores no que respeita aos montantes angariados, bem como às diferentes actividades envolvidas o que revela não só a amplitude de aplicação do capital de risco mas também que um dos factores mais relevantes na avaliação é a escolha de projectos com um elevado potencial de crescimento e associado retorno de capital.


4 - Estive ontem num evento em que alguém (Artur Santos Silva ou Belmiro de Azevedo, não me recordo) referiu que tinha reticências em investir em capitais de risco porque "as contas das empresas nas quais se investe são pouco credíveis (não são auditadas) e os investidores são enganados". Isto é de facto assim? É um fenómeno com dimensão significativa ou não?

Antes de responder à sua questão convém recordar que as posições dos investidores e dos empreendedores apesar de serem divergentes podem ser harmonizáveis entre si através da precisão das obrigações contratuais que devem ser definidas entre as partes antes da operação de investimento se concretizar.

Com efeito após o investimento se realizar os sentimentos com que cada uma das partes encara a parceria são bastante diferentes nomeadamente:

Empreendedor Investidor
Sentimento de alívio Um etapa de uma operação cíclica
Sentimento de inquietação A valorização do seu investimento
Permitir o crescimento sustentado da start-up Êxito na saída a curto prazo
Relação de longo termo Ser bem sucedido no final da participação

Face ao exposto importa ter presente que a relação investidor/empreendedor deve ser baseado não só em adequadas atitudes comportamentais (a sinceridade é condição sine quanon para o êxito da parceria) mas também ao nível das demonstrações financeiras credíveis e transparentes.

Apesar de ter conhecimento que em anos passados os investidores nem sempre se encontravam confiantes com o nível da informação e com as regras do governo das sociedades, em que participavam, sou da opinião que nos anos mais recentes se verificou uma evolução bastante positiva no comportamento das empresas e dos seus gestores, quanto à forma como os mesmos encaram a importância de uma boa Corporate Governance, no alcançar de uma confiança sustentável à concretização dos objectivos que cada uma das partes ambiciona atingir.

Facto este tanto ou mais importante quanto todos sabemos que as barreiras físicas e geográficas estão a desaparecer, por via das cada vez menos dispendiosas e poderosas tecnologias de informação, juntamente com a impressionante evolução e rapidez nas telecomunicações o que faz pressupor que a existência de Informação financeira pouco transparente ou que inspire pouca confiança, implicará necessariamente uma resposta punitiva por parte dos investidores, algo que certamente os empreendedores não quererão ver acontecer.


5 - Com os anos de experiência no negócio, consegue definir-me um perfil dos empreendedores?

Efectivamente na minha experiência empresarial tenho contactado com um número significativo de potenciais candidatos ao difícil, mas aliciante, mundo da criação de empresas e do empreendedorismo.

Na generalidade dos casos são jovens com elevados conhecimentos de âmbito científico, fruto da excelente preparação universitária recebida em Portugal, mas com fracas competências ao nível das técnicas empresariais que actualmente contribuem em mais de 95% da solução global para o êxito de um produto ou serviço quando este é lançado no mercado.

E como actualmente o que os investidores andam à procura é de negócios com receitas e clientes e não apenas tecnologia, i.e., negócios a “sério” e não de 20 engenheiros com uma ideia incrível, fácil será perceber a dificuldade que estes jovens sentem quando decidem tentar angariar capital de risco para os seus projectos, muita das vezes suportadas por ideias interessantíssimas.

De tal maneira esta constatação é uma realidade que recentemente uma consultora internacional divulgou os resultados de um estudo em que concluía que 2/3 dos Planos de Negócios submetidos à apreciação das Sociedades de Capital de Risco são eliminados em 5 minutos e dos restantes 1/3 somente um 1/5 consegue ter a primeira reunião com os investidores.

Como curiosidade refira-se que nestas limitações, de âmbito empresarial, merecem destaque as seguintes características:

  • Estabelecer e gerir equipas

  • Promover uma cultura empresarial

  • Desenvolver um nível elevado de auto-confiança como empreendedor.

  • Adquirir um foco de mercado e saber como desenvolver um modelo de negócios

  • Planeamento programado

  • Maior sensibilidade pela importância de ter uma equipa equilibrada

  • Desenvolver capacidades de apresentação.

Em face do exposto sou da opinião que os potenciais empreendedores devem ter uma maior consciencialização para a necessidade de profissionalizarem os seus processos de angariação de Capital de Risco uma vez que para conseguirem o financiamento, necessitam, em primeiro lugar, de saber o que efectivamente os investidores pretendem, pelo que será totalmente imprudente e desprovido de razoabilidade aproximar-se destes sem que tenham tentado obter primeiro informações sobre a forma como actuam no mercado, e, para isso, nada melhor que entrar em contacto com entidades especializadas nessa actividade, a exemplo do que os Empreendedores fazem quando têm um problema e consultam o Advogado, com vista à obtenção dos esclarecimentos adequados para esse efeito.

Uma vez incutida esta cultura empreendedora - verdadeira essência do funcionamento de uma Industria de Capital de Risco eficaz - acredito que os Empreendedores passem a preocupar-se mais com as suas reais necessidades do que com as vontades. Um projecto a apresentar a um investidor deve acima de tudo ser realista. Os investidores não fazem favores a ninguém! Por isso, por mais que uma ideia seja atractiva, o investidor apenas vai preocupar-se em dar ao Projecto aquilo que ele realmente precisa para crescer e não aquilo que o Promotor quer. A vontade do empreendedor apenas poderá ser encarada como um simples ensejo, enquanto que a necessidade já é vista como uma legítima exigência cuja ocorrência pode ser determinante para o êxito do Projecto. E, nessa medida, o empreendedor tem de possuir a flexibilidade suficiente que lhe permita distinguir estas duas premissas, valorizando sempre a segunda em detrimento da primeira.


6 - Quanto representa o investimento em CR na economia portuguesa? E em Espanha ? E face à média da União Europeia?

Em termos de peso no PIB e de acordo com dados disponíveis o investimento em CR em Portugal representava 0.089 por cento versus 0.180 por cento em Espanha ou 0.288 por cento da média europeia.


Respostas efectuadas por

Francisco Banha
CEO
Gesventure – Desenvolvimento de Novas Tecnologias, Lda

Em 25.04.05


Fonte: Jornal de Notícias
 

 

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