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Empreendedorismo tem que ser desenvolvido

A PME Investimentos é uma sociedade de investimento de capitais maioritariamente públicos, que desenvolve a sua actividade de apoio às PME’s nacionais na área do Capital de Risco. João Vicente Ribeiro é o presidente do Conselho de Administração da PME Investimentos e falou a «O Primeiro de Janeiro» dos principais desafios e da realidade das pequenas e médias empresas portuguesas.

Qual é, actualmente, o campo de actuação da PME Investimentos?
No passado, a PME Investimentos participou, prioritariamente, em empresas cujas actividades se enquadram nos sectores tradicionais, nomeadamente, calçado, têxtil, vidro, cerâmica, madeira e metalomecânica. Durante o primeiro semestre de 2004, e após a tomada de posse da actual administração, operou-se uma mudança estratégica, que teve como resultado o alargamento da actividade a empresas de novas tecnologias, ao empreendedorismo jovem, a projectos de internacionalização e a fusões e aquisições.
Actualmente, mantemos este caminho, reforçando o apoio a empresas de base tecnológica, salientando-se que a maioria dos projectos em análise são neste âmbito (biotecnologia, software de informação, telecomunicações, entre outros).

O annus horribilis de 2001, com o rebentamento da bolhas das empresas dot com e o 11 de Setembro originou uma quebra na confiança dos investidores. Considera que o mercado já recuperou dessa situação?
Os acontecimentos ocorridos no ano de 2001 eram previsíveis, dado que o cenário de eterno optimismo era insustentável. Actualmente, considera-se que o mercado iniciou a recuperação, visto que já se realizam investimentos em empresas de novas tecnologias, mas de um modo muito cauteloso. Da mesma forma, a PME Investimentos encara a análise deste tipo de projectos ponderadamente, sendo que a participação neste género de empresas implica o estudo e a aplicação de métodos de apoio personalizados, de modo a prepará-las e a fortalecê-las para futuras fases de financiamento, em que o crescimento da actividade, torna necessária a intervenção de investidores estrangeiros.
Salienta-se que se constata uma vontade, cada vez maior, por parte dos empreendedores, em retomar projectos que estavam parados, a aguardar melhores condições de mercado, tal como, se destaca o aparecimento de ideias muito interessantes que, necessariamente, devem ser apoiadas. Neste sentido, a PME Investimentos toma para si a responsabilidade de orientar e apoiar este tipo de projectos.

As estruturas de apoio ao empreendedorismo estão a funcionar?
Existem diversas estruturas de apoio ao empreendedorismo em Portugal, nomeadamente, a Agência de Inovação, diversas Universidades, Pólos Tecnológicos, Incubadoras de Empresas e o próprio IAPMEI. Presentemente, verifica-se uma progressiva mudança de atitude destes organismos, bastante pró-activa no apoio a novas ideias e aos empreendedores, o que resulta no aparecimento de alguns projectos muito interessantes. Neste âmbito, a PME Investimentos tem dado o seu contributo, através da realização de protocolos com universidades e do apoio a concursos de Ideias e Planos de Negócios, com o compromisso de analisar os projectos que daí resultam.

Qual é o grande objectivo da PME Investimentos?
O grande objectivo da PME Investimentos é apoiar as PME’s, que são a base do tecido empresarial português. Poder-se-á pensar que o Capital de Risco só se aplica às médias e grandes empresas; no entanto, o histórico do mercado português revela o contrário e a PME Investimentos tem um papel muito importante no sentido de conduzir, pelo exemplo, a actividade de Capital de Risco em Portugal, para o investimento em PME’s.
Mais concretamente, a PME Investimentos pretende transformar os projectos e as empresas em que intervém em casos de sucesso empresarial.

A especialização em nichos de mercado específicos é o caminho indicado para que as PME’s portuguesas sejam casos de sucesso?
Num mercado global, onde a concorrência é muito forte, o caminho para o sucesso é a especialização. Assim, o rumo para as PME’s portuguesas passa pela especialização em nichos de mercado, de modo a que se consigam destacar e liderar pela diferença e pela inovação. Em Portugal, já temos alguns casos de PME’s que se especializaram e que são líderes nos seus segmentos de mercado: a Outsystems, a Altitude Software, a Chipidea, apenas para nomear algumas PME’s bem sucedidas.
A missão da PME Investimentos também se centra na sensibilização dos empreendedores, para a identificação destes factores de sucesso, e no apoio à implementação dos mesmos.

Considera que o financiamento dos projectos ainda é o principal entrave ao empreendedorismo?
O financiamento dos projectos ainda constitui algum entrave ao desenvolvimento do empreendedorismo. No entanto, perspectivam-se mudanças nesta área, por diversas razões: por um lado, assiste-se à injecção de capitais no mercado, através da criação de diversos Fundos de Capital de Risco, promovidos por Sociedades de Capital de Risco privadas, vocacionados para o apoio a projectos de PME’s, nos quais a PME Investimentos participa, com o capital de um fundo por si gerido (Fundo de Sindicação de Capital de Risco PME-IAPMEI), sendo que o valor do investimento, neste âmbito, ronda os 14 milhões de euros.
Por outro lado, o banco BPI vai realizar a primeira operação de Titularização de Créditos a PME’s, na qual a PME Investimentos também vai intervir, através do Fundo de Garantia para a Titularização de Créditos, existindo a obrigatoriedade, por parte daquela entidade bancária, em pôr à disposição das PME’S nacionais, e durante dois anos, o montante de 500 milhões de euros, sob a forma de empréstimos de médio e longo prazo.

Que factores considera decisivos para o desenvolvimento efectivo das PME’s nacionais?
Existem diversos factores que condicionam o desenvolvimento efectivo das PME’s. O primeiro factor que se pode salientar está relacionado com a formação profissional dos empresários e dos colaboradores das empresas, que deverá ser adequada às exigências do mercado global (especialização).
Por outro lado, o meio envolvente às empresas também é muito importante no seu desenvolvimento, nomeadamente, a administração pública e fiscal e o sistema judicial, cujas reformas provocarão um grande impulso no crescimento das PME’s, tornando-as mais competitivas no mercado global.
Por fim, a mentalidade dos investidores, que deverá ser modificada, no sentido de encararem o investimento em PME’s como algo vantajoso e interessante, o que já se começa a manifestar.

Portugal tem os meios humanos necessários para que esse desenvolvimento das PME’s seja uma realidade?
Em Portugal, todos os anos saem das universidades técnicos muito qualificados em diversas áreas. O que ainda não existe é uma cultura intensa da qualidade e da formação profissional, quer ao nível dos empresários, quer ao nível dos trabalhadores das empresas. Mais ainda, existe algum receio, por parte desses técnicos qualificados, em apostar na concretização das suas ideias, dado que ainda não sentem o apoio necessário, por parte de parceiros e investidores, na orientação desses processos de concretização.

A ponte de ligação entre as universidades e as empresas está a ser feita de uma forma eficaz?
Neste âmbito, existe algum trabalho desenvolvido, salientando-se o papel pioneiro da PME Investimentos, na parceria com algumas universidades, cujo objectivo é a aproximação dos jovens empreendedores ao mercado empresarial. No entanto, este objectivo deverá ser encarado como vital, quer pelas universidades, quer pelas instituições que têm responsabilidade no desenvolvimento de PME’s, para que exista um intercâmbio eficaz entre as duas realidades: o meio universitário e o meio empresarial. Por outro lado, as universidades deveriam fomentar as ligações entre si, de modo a que a especialização de cada uma delas permita, em conjunto, o desenvolvimento de projectos.

Quais são as principais linhas de acção da PME Investimentos para o ano de 2005?
No ano de 2005, a PME Investimentos pretende manter a sua orientação estratégica no investimento em empresas de base tecnológica, empreendedorismo jovem, projectos de internacionalização, fusões e aquisições. Pretendemos manter uma postura activa de procura de novas oportunidades de negócio, divulgando a nossa actividade junto de empresas, universidades e pólos tecnológicos.
Assim, perspectivamos esgotar os Fundos de Capital de Risco que gerimos, o que obrigará à criação de novos fundos, em conjunto com capitais privados.
Temos também como objectivo o aperfeiçoamento dos métodos de acompanhamento das empresas participadas, de modo a contribuir para que se tornem casos de sucesso empresarial.
Deste modo, ambicionamos ser um exemplo para as Sociedades de Capital de Risco que operam no mercado português, não querendo que encarem a PME Investimentos como um concorrente, mas sim como um modelo a seguir. Queremos, igualmente, ser uma referência para as PME’s nacionais.

Quem é a PME Investimentos
A PME Investimentos é uma Sociedade de Investimento, com o objectivo de apoiar as PME’s portuguesas, actuando na área do Capital de Risco. Com participações no capital de 45 empresas, a PME Investimentos tem como principais accionistas o IAPMEI e a Direcção Geral do Tesouro, que detêm 83 por cento do capital, sendo 17 por cento do restante capital da posse de accionistas privados. Com um capital de 27.5 milhões de euros e investimentos da ordem dos 47 milhões de euros, a missão da PME Investimentos persegue o objectivo de assegurar que os projectos em que intervém resultem em casos de sucesso empresarial, com a adequada remuneração dos capitais próprios. Actualmente a sociedade gere seis fundos de capital de risco, quatro dos quais destinados a investidores qualificados e os restantes dois de capitais exclusivamente públicos, com o objectivo único de dinamizar o mercado. Numa altura em que a indústria do capital de risco ainda não está suficientemente desenvolvida em Portugal, uma das tarefas da PME Investimentos passa por desenvolver esta forma de financiamento junto dos operadores institucionais, para que, por sua vez, estes possam intervir junto das PME’s, para que estas se transformem em casos de sucesso empresarial.


Fonte: O Primeiro de Janeiro  
 

 

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