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Mannie Liu: “O aumento dos salários na China é inevitável”

O poder centralizado do governo chinês enfraquecerá à medida que a economia de mercado se fortalecer e os salários dos chineses acompanharem esta tendência. Mas a evolução da China não vai ser exactamente igual ao do Ocidente. Quem o diz é Mannie Liu, uma especialista chinesa em capital de risco, em entrevista ao PortalExecutivo. Uma “ocidentalização” que conservará largos traços orientais, acredita a professora
POR CRISTINA PEREIRA

»» Mannie Manhong Liu é a fundadora e presidente da VCChina Ltd, uma empresa de investimento e consultoria de Pequim que é hoje uma referência no mercado chinês de capital de risco. Doutorada em Economia Aplicada pela Universidade de Cornell, Mannie Liu é actualmente professora da Universidade de Renmin, na China. É também conselheira financeira do governo municipal de Pequim, directora do Boston China Finance Research Center (EUA), directora do VC Research Center da Universidade de Renmin e vice-directora honorária da Associação Chinesa de Capital de Risco. É ainda autora de vários livros sobre capital de risco e finanças e oradora regular em eventos dedicados à temática. Foi nesta qualidade que esteve recentemente em Portugal, para falar no 5º Congresso Internacional de Capital de Risco, realizado no início do mês em Lisboa.

Nesta entrevista por correio electrónico, Mannie Liu fala sobre a recente evolução da China e daquilo que se pode esperar para o futuro. Cautelosa, acredita que as estimativas que dão a liderança da economia mundial à China ao cabo de alguns anos “podem estar correctas”. Mas alerta: a evolução da China não será feita exactamente nos mesmos moldes que seguiram os países ocidentais. Preparemo-nos, assim, para uma nova ordem económica mundial, em que os Estados Unidos serão apenas… mais um “player”.

Acredita que a China se tornará um dia na maior economia mundial? Se sim, em quanto tempo? E quais serão as principais consequências desta mudança para a economia mundial?
Um artigo recente da “Newsweek” estimava que, dentro de 35 anos, sensivelmente, ou seja, por volta de 2040, a China ultrapassará os Estados Unidos e se tornará na maior economia do mundo... esta estimativa pode estar correcta. No entanto, é preciso não esquecer que, mesmo que a China se torne na maior economia do mundo, a dimensão da sua população obrigará a que o seu rendimento per capita seja ainda relativamente baixo. Será necessário muito mais tempo para atingir o ponto em que o PIB per capita da China se encontre ao nível dos países de topo. Tendo dito isto, continuo a acreditar que o poder crescente da China tem sido e continuará a ser um factor fundamental na nova ordem económica mundial. Pelo menos, a economia mundial contará com vários líderes e não apenas com um – os Estados Unidos –, como acontece actualmente.

Considera que o impacto ambiental do crescimento económico da China se tornará um factor crítico, passível de restringir o crescimento económico assente no actual modelo?
A questão do ambiente será o maior obstáculo à continuação do desenvolvimento da economia chinesa e será também um grande desafio. A China já prestou alguma atenção a este problema, mas tem de prestar muito mais ainda. As vendas de automóveis, por exemplo, têm crescido de forma impressionante na China e o governo constrói cada vez mais auto-estradas, mas, na verdade, não penso que o modelo norte-americano deva ser aplicado à China. Em lugar disso, a China deve aprender com os países europeus, onde os transportes públicos, os caminhos-de-ferro, o metropolitano e os autocarros são mais populares do que os automóveis próprios. Mas o boom da indústria automóvel contribuiu bastante para o crescimento do PIB chinês. Infelizmente, a China preocupou-se muito mais com o seu crescimento económico do que com as questões ambientais.

Teve o privilégio de testemunhar o notável crescimento da China durante os últimos anos e a sua transição de país subdesenvolvido para economia emergente. O que pode dizer, em termos gerais, sobre como era a vida então e actualmente para o cidadão chinês comum?
Citando mais uma vez a estimativa da “Newsweek”, nos últimos 26 anos a China ajudou 300 milhões dos seus cidadãos a saírem da pobreza. Isto é um milagre na História. Os padrões de vida das pessoas subiram de forma impressionante. As pessoas que vivem nas cidades, por exemplo, dispõem de equipamentos modernos como televisões, frigoríficos, ar condicionado e telemóveis, o que, há alguns anos, não passava de um sonho. Ao longo da costa leste, os agricultores também gozam de padrões de vida bastante modernos. Mas não nas regiões central e ocidental: os residentes do interior ainda têm condições de vida muito duras.

Alguns especialistas dizem que, no longo prazo, a vantagem competitiva chinesa assente numa mão-de-obra de baixo custo acabará um dia por desaparecer e que a emergência de uma classe média e a continuação do desenvolvimento da economia resultarão num aumento dos salários. Como pensa que a indústria chinesa se adaptará a este previsível desenvolvimento?
O aumento dos salários é inevitável. Mais cedo ou mais tarde, a China deixará de poder contar com as vantagens derivadas da sua mão-de-obra barata. Mas dada a actual estrutura populacional, a oferta de mão-de-obra continuará a mostrar-se forte durante pelo menos mais 10 anos. Vai levar algum tempo até que se verifique um significativo aumento dos salários. Penso que só dentro de 10 ou 20 anos é que a vantagem da oferta de mão-de-obra da China vai deixar de depender da sua quantidade, mas antes da sua qualidade.

Quais os sectores mais fortes e de mais rápido crescimento da economia chinesa? O Ocidente parece preocupado com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio, como se verificou com a recente questão do aumento nas exportações de têxteis, por exemplo. Mas os têxteis são uma indústria tradicional. O que podemos esperar do futuro papel da China nos sectores da alta tecnologia e do conhecimento?
A China é um país muito vasto, onde as grandes cidades e as áreas costeiras são muito mais desenvolvidas do que o resto do país. Nas regiões desenvolvidas, o sector da alta tecnologia tem estado a crescer muito rapidamente. Algumas tecnologias, principalmente as que se destinam ao ambiente industrial, terão um papel cada vez mais importante na economia chinesa, ao passo que nas regiões menos desenvolvidas a indústria tradicional continuará a ser o principal factor de crescimento económico.

Conseguirá a China manter um controlo centralizado num mundo cada vez mais ligado em rede? De que forma a “mão pesada” do seu governo afecta as actividades quotidianas das empresas da China continental?
O governo chinês mudou muito. Se no passado o governo não só detinha o poder político como também um enorme poder económico, agora esforça-se por separar as suas responsabilidades económicas das suas obrigações políticas, sendo que os governos regionais e locais têm uma autonomia cada vez maior relativamente ao governo central. Xangai, por exemplo, costumava remeter a maioria das suas receitas ao governo central, o que agora já não acontece...
Pense sobre a longa história da China... sempre que havia um período de estabilidade, a economia prosperava. Neste momento a China usufrui da estabilidade política mais duradoura de sempre: 26 anos sem nenhum movimento, nenhuma guerra civil, nenhuma invasão estrangeira. A continuação do desenvolvimento económico da China depende da sua estabilidade social. O sistema de comando centralizado enfraquecerá gradualmente à medida que a economia de mercado se fortalecerá. Mas o sistema da China não vai ser exactamente igual ao do Ocidente... pelo menos não num curto prazo.
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Capital de risco na China é dominado por empresas estrangeiras
O sector do capital de risco na China evoluiu bastante em pouco tempo. Inicialmente, o governo era o único agente presente, “mas hoje já não é assim”, refere Mannie Liu, salientando a entrada de um crescente número de empresas privadas. “Na verdade”, sublinha, “o sector chinês de capital de risco é agora dominado por sociedades de capital de risco estrangeiras, na sua maioria privadas”.

De facto, os estrangeiros dominam cerca de 70 por cento do sector. Para que os chineses aumentem a sua quota de mercado no capital de risco e “recebam o mesmo tratamento que os seus concorrentes estrangeiros”, é necessário remover um conjunto de obstáculos, considera Mannie Liu. Há que promover, defende a especialista, a existência de políticas fiscais favoráveis; um bom mercado nacional com um forte mercado secundário de acções, talvez; a remoção do mecanismo regulador que impede que as empresas de capital de risco invistam mais de 50 por cento do seu capital social; a autorização legal da existência de formas societárias de responsabilidade limitada; mais profissionais de gestão de fundos com boa formação; e a autorização para os investidores institucionais investirem em sociedades de capital de risco nacionais.

Ainda de acordo com Mannie Liu, os sectores que mais florescem no mercado chinês do capital de risco e do empreendedorismo são “design e produção de circuitos integrados, Internet, software, sectores relacionados com a saúde, novos materiais e outros sectores de alta tecnologia”.


Fonte: Portal Executivo
 

 

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