3 e 4 de Maio de 2005

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China monopoliza debate no 5º VCIT

China , China, China. Não há praticamente um dia em que não se oiça falar desta economia emergente, seja pelos receios dos europeus face ao aumento das importações de têxteis, seja pelo anúncio de que vai começar a exportar automóveis mais baratos, seja porque dentro de alguns anos, prevê-se, será a maior economia mundial. E o VCIT – 5º Congresso Internacional de Capital de Risco não foi excepção. Todos os oradores foram consensuais: a China converter-se-á a prazo na maior economia do mundo
POR CRISTINA PEREIRA

»» A China dominou as discussões na manhã do primeiro dia do VCIT – 5º Congresso Internacional de Capital de Risco. Esta iniciativa anual da Gesventure decorreu desta vez nos dias 3 e 4 de Maio, no Lispolis, em Lisboa

E numa primeira sessão subordinada ao tema "Economia e Mercados", a emergência da China como grande potência económica revelou-se uma questão incontornável. Em face do que vem por aí, as preocupações dos últimos dias relativamente ao espectacular aumento das importações de têxteis chineses pela Europa diminuem francamente de importância. É que os chineses não vão seguramente ficar-se pelos têxteis. Na opinião do ex-ministro Mira Amaral, "a China é a grande potência económica emergente do século XXI". Mais ainda, é de prever que o actual G6 – o grupo dos seis países mais ricos do mundo – se mostre completamente descaracterizado daqui por 20 ou 30 anos. Dos actuais membros, "só dois manterão o seu lugar: os Estados Unidos e o Japão", sublinhou o engenheiro. A China, que se prevê venha a ser a segunda economia mundial atrás dos EUA em 2020 e a primeira em 2050, fará certamente parte daquela elite.

E se a Ásia emerge e os EUA se adaptam, já a situação da Europa é "altamente preocupante", alertou Mira Amaral, sublinhando que o Velho Continente "continua preso nos seus esquemas proteccionistas e no seu estatismo". Como comprovou num evento internacional de que participou recentemente, "os chineses, os indianos e os americanos riem-se à menção da Agenda de Lisboa". Resumindo, "nós não somos credíveis". E obviamente que Portugal "sofre também desta doença europeia", agravada pelos problemas específicos que debilitam o País.

A invasão chinesa não vai resumir-se às indústrias mais tradicionais, como a dos têxteis: "As empresas chinesas de telecomunicações começam a crescer nos EUA e na Europa, com tecnologias competitivas", afirmou Mira Amaral.

E com uma população de 1.300 milhões de pessoas (520 milhões das quais já a viver nas cidades), "o governo chinês pode ir injectando mão-de-obra barata [recrutada entre os actuais 780 milhões que vivem no campo] de acordo com as necessidades", sublinhou. Daí que o país possa ainda manter-se durante muito tempo como uma economia de baixo custo e baixos salários.

Mas a China, além de uma ameaça, é também uma oportunidade. "É um mercado ávido de consumir produtos ocidentais", salientou Mira Amaral. Apesar de ser dos países "que mais copiam, há já lá muita gente que quer a marca verdadeira", sublinhou.

Há que ter em conta que 50 por cento das exportações chinesas são feitas para empresas ocidentais que aproveitam a China para lá produzir os seus produtos. De qualquer das formas, "não podemos ignorar um país com 1.300 milhões de habitantes", observou. "Se faz parte da economia global, é bom que faça parte da Organização Mundial do Comércio".

Segundo Mira Amaral, administrador de uma empresa que já tem um escritório na China, vinhos e bebidas, calçado, cerâmica e material sanitário, entre outros, são alguns sectores que Portugal pode exportar para aquela nação asiática. Mas, alertou, quem for para a China tem de estar preparado para situações como, por exemplo, o mau funcionamento do correio electrónico e do fax. "Para eles, a presença física é muito importante", frisou. Factores como a disposição para fazer uma aposta a longo prazo, uma boa relação qualidade-preço e um bom parceiro local foram também destacados por Mira Amaral como aspectos a considerar para quem desejar tentar a sua sorte na China.

Tem de haver uma cooperação entre os EUA, a Europa e a China
Também Paulo Pinto, da DIF Broker, concorda que "estamos no fim de um ciclo, representado pela dominância do dólar como padrão global e o emergir da China como super-potência". A China prepara-se, alertou, "para ser a maior potência nos próximos 30 anos".

Segundo Paulo Pinto, "os chineses não estão a fazer nada de particular, estão a aproveitar a dimensão e a fazer o que os EUA fizeram no século XX". Entre os vectores desta "estratégia simples", contam-se os seguintes: esmagar a concorrência com custos de trabalho únicos e tornar-se no principal país credor dos EUA. "A dívida pública americana é detida em 50 por cento por estrangeiros. E só a China detém um sexto desta dívida", constatou. E se Roosevelt usou a sua posição como credor do Reino Unido para obrigar os britânicos a alienarem algumas das colónias, "qual será a estratégia da China como credora dos EUA"?

Enquanto o dólar e o euro lutam pelo domínio internacional – uma "luta oficiosa", como classificou Paulo Pinto –, "os EUA podem gastar mais do que ganham, mas não os outros países. Importam mais 50 por cento do que aquilo que exportam e só podem continuar a fazê-lo por causa do dólar", dado que é esta a moeda de denominação da dívida.

Para evitar uma depressão mundial, aconselhou ainda Paulo Pinto, "tem de haver uma coordenação muito leal e estreita entre os Estados Unidos, a Europa e a China".

Os comentários sobre a China foram bastante consensuais ao longo do Congresso. António Neto da Silva, presidente da Proespaço – Associação Portuguesa das Indústrias do Espaço e da Deimos Engenharia, sublinhou que "a Europa teve um papel estratégico fundamental como teatro das operações. Afinal, as duas grandes guerras mundiais foram travadas na Europa". Mas a crise de hoje, referiu, é efectivamente uma crise mundial. "A perda de ocupação dos países islâmicos pela Europa é uma mudança que reforça uma atitude de cooperação inevitável entre a China e os EUA e a Europa tem de ter cuidado para não ser relegada para um papel marginal", alertou. Se a Europa não mudar, referiu António Neto da Silva, "o declínio é praticamente inevitável".

China pode ser já hoje a segunda maior economia do mundo
Mas ninguém melhor que um chinês – neste caso uma chinesa – para falar da China. Mannie Manhong Liu, professora de Finanças e directora do Instituto de Investigação em Capital de Risco e Private Equity da Universidade de Renmin (China), apoiou com factos e números os sinais do notável crescimento da China nos últimos anos.

Afinal, um crescimento médio do PIB de 9,5 por cento entre 1979 e 2004 não é para todos. Uma robustez que nem a epidemia de SRA, em 2003, abalou. "Nada pode parar este crescimento", afirmou Mannie Liu. E se há previsões que apontam para que a China seja a segunda maior economia mundial em 2020, "há especialistas em Wall Street que dizem que já hoje o é", sublinhou.

De facto, hoje, nalgumas áreas, a China vive já de acordo com os padrões ocidentais. Há telefones fixos e telemóveis com fartura, acesso à Internet e as tradicionais bicicletas foram substituídas por automóveis. "Foi um desenvolvimento notável, mas também tivemos os nossos problemas", afirmou. Há ainda muita gente que vive abaixo do limiar de pobreza. Há dois anos, era de 20 milhões o número de chineses que se encontravam naquela situação, o que, ainda assim, representa uma notável diminuição face ao cenário de alguns anos atrás. Citando a sua experiência pessoal, Mannie Liu declarou: "A minha filha hoje não tem noção de como eram as coisas antigamente. Eu, pessoalmente, passei fome". Aliás, acrescentou, era habitual as pessoas cumprimentarem-se naquele tempo com um "Olá, já comeste"?

Mannie Liu também acredita que os custos laborais vão manter-se relativamente baixos. Entre 2010 e 2015 a economia vai continuar a crescer muito fortemente. A China irá melhorar a sua protecção à Propriedade Intelectual "porque tem mesmo de o fazer", referiu Mannie Liu, e irá concentrar-se nas suas tecnologias de aplicação. O espírito empreendedor manter-se-á forte.

 

No que respeita ao capital de risco na China, Mannie Liu descreveu a evolução do cenário desde 1986, quando o governo criou a primeira empresa de capital de risco, até aos nossos dias. Um dos principais marcos nesta evolução foi a excursão de Deng Xiao Ping ao sul da China, em 1992, que viria a tornar evidente a necessidade de reformas em várias áreas vitais, como os bancos públicos, as empresas públicas e o orçamento de Estado. Foi então lançada uma nova estratégia pelo governo em direcção a uma "Economia de Mercado Socialista", em 1994, que levou à adopção de uma série de medidas de reforma nos sistemas fiscal, financeiro, cambial e das empresas estatais. O governo começou a encorajar o desenvolvimento de capital de risco em parques nacionais de alta tecnologia e, em 1998, endossou um documento para fomentar o capital de risco no país. Entre 2001 e o final de 2002 foram criadas muitas empresas de capital de risco, um desenvolvimento desacelerado pela subsequente recessão. Mas, a partir de 2003, foi visível uma recuperação no investimento.  


Mannie Liu: "se a recessão de 2002 afectou tanto a China como os EUA, em 2003 os EUA mantinham a desaceleração mas a China encontrava-se já em grande crescimento"

Em 2004, a China protagonizou 24 IPOs fora do país, num investimento total de 1,2 mil milhões de dólares. Também no ano passado foram registados 253 projectos financiados por capital de risco, o que representa um crescimento de 28 por cento face a 2003. Ainda assim, o capital de risco estrangeiro continua a dominar o mercado chinês, com cerca de 70 por cento do financiamento. E se compararmos com a tendência americana, verificamos que, "se a recessão de 2002 afectou tanto a China como os EUA, em 2003 os EUA mantinham a desaceleração mas a China encontrava-se já em grande crescimento", salientou Mannie Liu. Persistem, no entanto, algumas barreiras ao capital de risco nacional. É um sistema "difícil de entrar, difícil de sair e difícil enquanto lá se está", afirmou. Problemas que o governo se mostra empenhado em resolver.

 

China – factos & números

  • O primeiro país do mundo em IDE (2002)

  • Consome metade do cimento mundial e 30 por cento do petróleo mundial

  • A indústria representa já 52 por cento do PIB

  • O primeiro produtor mundial de têxtil e televisores

  • Dentro de 10 anos, ultrapassará o Japão

  • Dois milhões de chineses formados em Tecnologia e Ciências em 2004

  • Uma classe média de 300 milhões de pessoas (com mais mil milhões que aspiram a tal)

  • Há 450 empresas americanas na China

 

Capital de risco ou empréstimos bancários?
A evolução do capital de risco na Europa foi o tema da intervenção de Georges Noël, da Associação Europeia de Private Equity e Capital de Risco (EVCA), que defendeu que a região se debate fundamentalmente com um problema de desempenho: "Temos pequenos investimentos em comparação com os Estados Unidos", afirmou. Prevê-se que 2005 seja um ano recorde em termos de angariação de fundos por parte dos cinco principais operadores europeus (em 2004, este valor ascendeu aos 24.689 milhões de euros, de acordo com estatísticas preliminares).

Relativamente a Portugal, Georges Noël declarou que "começa a ter um sistema eficiente, mas precisa de um ecossistema para a evolução do mercado de capital de risco". Salientou posições acima da média europeia do nosso país em parâmetros como o ambiente fiscal e legal e o investimento de capital de risco em percentagem do PIB, constatando que "Portugal tem uma situação bastante respeitável na Europa". No scorecard da "auto-sustentabilidade", Portugal é o 11º de 15 países, anunciou. O País encontra-se na segunda fase do ecossistema de capital de risco (composto por quatro), que se intitula "Borderline situation". Georges Noël notou ainda que nenhum país europeu se encontra na fase mais avançada, a da auto-sustentabilidade.

Já António Neto da Silva é da opinião que "n ormalmente o capital de risco em Portugal praticamente não existe. O que existe são empréstimos bancários disfarçados. E isto não é capital de risco". Relativamente ao sector do espaço, o presidente da Proespaço considera que este tipo de empresas "tem grande hipótese de precisar de capital de risco". Afirmou ainda que o que a indústria do espaço precisa é de lobby junto das instâncias europeias, precisamente para conseguir captar os melhores projectos. "Não precisamos de incentivos, nem de subsídios, precisamos é de lobby e de estruturação", rematou.

Outsystems prepara-se para segundo round de angariação
Paulo Rosado, CEO da Outsystems, fez uma intervenção centrada nas tendências e novas oportunidades em tecnologias de informação. A Outsystems está neste momento a expandir-se para os Estados Unidos. Paulo Rosado anunciou que acabou de fazer o primeiro round de angariação de capitais e que está a preparar-se para o segundo.

Para o engenheiro, a Internet situa-se agora numa fase de "maturação brutal", dada a rapidez e robustez que a caracteriza. Existe agora tecnologia barata com poder suficiente para criar data centers globais. Temos assistido, assim, a um aumento brutal do storage: os discos diminuem de tamanho e aumentam de capacidade.

E se antes as empresas eram valorizadas pelo número de pessoas que visitavam os seus sites, agora é pelas suas capacidades de "efeito em rede". Este modelo está a surgir numa série de áreas, como reflexo do desvio do software para o infoware, tal como se deu no passado do hardware para o software. E Paulo Rosado deu os exemplos da Google – "aproveita-se do trabalho que todos nós fazemos na rede", compilando os sites mais relevantes através das recomendações feitas pelas várias pessoas –, da eBay – que resolveu o problema da confiança em quem vende através de um mecanismo de feedback dos compradores – e da Amazon – cujo grande valor advém do facto de capturar análises elaboradas pelos clientes. "Portanto, qualquer modelo de rede é passível de criar grande valor", avançou.

Um exemplo paradigmático é o da Apple, que criou o iTunes e, a partir dele, o iPod. Com a ideia subsequente de vender música pela Internet, "fez o 'lock' completo da cadeia", declarou Paulo Rosado. O suficiente para "arrumar" com a Sony nos walkmans e gravadores e com a Virgin na distribuição retalhista de música. A Apple é uma empresa de hardware que, à custa de software, fez o 'lock' total de uma cadeia de abastecimento. E deixou o alerta: a próxima disrupção da Apple pode surgir no mercado do download de filmes pela Internet…

Como fomentar o empreendedorismo?
A tarde do primeiro dia do Congresso foi subordinada ao tema do empreendedorismo e deu aos assistentes a oportunidade de apreciarem experiências decorridas em Portugal, no Canadá e no Reino Unido. Chris Curtis, da canadiana CG International, empresa fundada há 15 anos e representada em 16 países, trabalha com instituições financeiras e governos para ajudar a desenvolver o empreendedorismo. Salientou, no processo de constituição do empreendedor, a importância do apoio de um mentor, a ajuda dos pares, a aprendizagem prática, a aquisição de conhecimento e o planeamento. Chris Curtis comparou ainda o investimento feito em Portugal no futebol com a atitude que deveríamos ter face ao empreendedorismo. "Impressiona-me a paixão que as pessoas têm pelos seus clubes" afirmou. E anunciou ainda a recente constituição da CG Portugal, uma parceria entre a CG International e Francisco Banha, que tem por objectivo desenvolver projectos de empreendedorismo no sistema educativo e em organizações empresariais, através do fomento de uma cultura mais empreendedora.

Já a britânica Julie Logan, directora da Simfonec, uma iniciativa lançada em Março de 2003 que pretende desenvolver o potencial das universidades britânicas, falou sobre a resposta do governo inglês com vista a construir a base de conhecimento do Reino Unido. A iniciativa aumentou brutalmente o número de 'spin-outs' geradas pelas universidades, de cerca de 70 em 1996 para 200 em 2000 e 250 em 2001. As receitas até ao momento cifram-se em 3,5 milhões de libras, principalmente através de vendas para os EUA.

João Pessoa e Costa, da Ambelis – Agência para a Modernização Económica de Lisboa, referiu que "Lisboa é a capital de uma pequena economia aberta com um potencial enorme para crescer". Mas tem também problemas, como o elevado preço das compras, muita burocracia e uma população que decresceu e envelheceu. À falta de "uma estratégia clara e de elementos para a executar", a Ambelis pretende relançar uma estratégia apoiada em quatro eixos principais: Lisboa cidade activa e com bom ambiente para os negócios; Lisboa cidade inovadora e virada para o futuro; Lisboa cidade criativa (cultura, arte, design de moda); e Lisboa cidade viva (bairros e vida nocturna). Foi assim criado o site www.lisboactiva.pt, que presta serviços como on-line business, on-site business, organização de agendas de negócios e de contratos à medida, serviços imobiliários, apoio à internacionalização, conferências e seminários, informação académica sobre a cidade, estudos e relatórios e apresentações de Lisboa.

Angariar demasiado capital pode ser tão mau como angariar muito pouco
Ian Page, que começou por ser um engenheiro, depois académico, depois empreendedor e finalmente investidor, deu conta da sua rica experiência ao longo de um quarto de século. Foi graças à sua ideia, o sistema "Handel", que foi criada a Celoxica, em meados dos anos 90, graças a um investimento "angel". A Celoxica transforma software em hardware (um chip) e actua comercialmente desde 2000, altura em que foi inundada por capital de risco. A grande lição que Ian Page obteve foi que "ter muito dinheiro parecia bom, mas revelou-se a pior coisa que podia acontecer". Ian Page acabou por ser "corrido" da Celoxica e tornou-se investidor em empresas de tecnologia. Como, basicamente, não ganhou nem perdeu nada, decidiu "usar melhor os seus investimentos em tecnologia em early-stage". O que culminou, depois de várias peripécias, na rede de investidores ONION. Mas como ser investidor "angel" individualmente é muito difícil, co-fundou a Oxford Informal Investor Syndicate (OIIS), com outros membros da ONION, reunindo cerca de 20 investidores "angel". Agora, gere o fundo de investimento Seven Spires Investments, criado no início de 2003 e que procura investir em empresas de alta tecnologia na fase de early-stage. Algumas das lições deixadas por Ian Page: angariar demasiado capital pode ser tão mau como angariar muito pouco; passar demasiado tempo a angariar financiamento pode ser ineficaz; concentrar-se em objectivos atingíveis; a execução é tudo (por vezes supera a ideia original); não tente copiar os sucessos, tente antes evitar os fracassos; os empreendedores em série são o recurso mais precioso (só um deles pode fazer uma grande diferença no cenário local. 10 deles podem fazer grande diferença no cenário nacional).

Pedro Murta, da Drive Capital, abordou a confusão existente entre financiamento e investimento. "Investir não é financiar", esclareceu. "Financiar é o que os bancos fazem". Sublinhou, no entanto, como positiva, "a nova atitude das sociedades de capital de risco", que no passado estavam ligadas a bancos e ao Estado e que actuavam como as instituições financeiras. Em 2002, com a alteração da legislação que regula a actividade das sociedades de capital de risco, abriram-se portas a novos operadores. "Hoje as sociedades de capital de risco estão mais preparadas para assumir riscos, estão mais perto da empresa participada e são muito mais rigorosas a analisar projectos".
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Filipe de Botton é o empreendedor do ano

Filipe de Botton foi considerado o empreendedor do ano de 2004 pela organização do VCIT – 5º Congresso Internacional de Capital de Risco. O presidente da Logoplaste, que não pôde estar presente na entrega de prémios que encerrou o encontro, no dia 4 de Maio, por razões de ordem pessoal, não foi, no entanto, o único a ser distinguido pela Gesventure. Paulo Ramos, presidente da comissão executiva da ParaRede, foi eleito o intrapreneur do ano. "Não sei quais foram os critérios do júri. Espero que não tenha sido pelo cansaço", afirmou, no seu discurso de agradecimento, o gestor que, pela primeira vez em cinco anos de VCIT, não fez parte da lista de oradores do evento.

António Quina, director de A Vida é Bela, uma empresa que comercializa experiências, foi agraciado com o prémio de inovação. "Dedico este prémio à minha equipa. Há três anos estávamos todos desempregados. Portugal vive uma situação de desemprego de luxo. Há muito bons profissionais e pessoas com muitas qualificações que estão desempregadas", lamentou.

As críticas maiores viriam, contudo, a seguir, quando se referiu às dificuldades que sentiu quando procurou financiamento para arrancar com o projecto. "Fui corrido de todos os bancos com ar de desprezo. Houve um que para me emprestar dinheiro com juros a 14 por cento me obrigou a comprar um faqueiro. Este é o capital de risco que temos! Mas nós não precisamos de capital de risco. Nem queremos capital de risco. Preferimos hipotecar a nossa casa", afirmou.

A lista de vencedores da edição deste ano inclui ainda a ChipIdea. À empresa liderada por Epifânio da Franca coube o prémio que distingue o melhor processo de internacionalização. "É no mundo que procuramos ser notados e, quando isso acontece em Portugal, enchemo-nos de orgulho", referiu o mentor da companhia, que já tem 90 clientes em 16 países e se prepara para concluir "brevemente" uma operação de entrada de capital de risco estrangeiro, com o objectivo reforçar a presença da empresa no mercado internacional.

Em breve o PortalExecutivo apresentará um artigo sobre os temas discutidos no segundo dia do 5º VCIT.
 


Fonte: Portal Executivo
 

 

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